quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Wozniacki com muito coração e alma de campeã

Se para vencer é preciso saber sofrer, em momentos determinantes, a dinamarquesa Caroline Wozniacki foi ao extremo. A nº4 mundial provou que além do enorme talento, tem uma alma que dificilmente a manterá muito mais tempo arredada da liderança mundial. Depois de uma época desgastante, em que fez mais jogos que ninguém, ela agarrou-se ao jogo de uma forma inolvidável. Depois de vencer uma "maratona" de três horas ontém, frente a Victoria Azarenka, a jovem de 19 anos, aguentou-se em mais uma batalha, em que nem o sangue faltou. O de Zvonareva, a adversária que sofreu um sangramento nasal, no decorrer do 2º "set". Wozniacki dominava o encontro (6-0, 5-3), com serviço a favor, mas descomprimiu cedo demais, o que lhe foi (quase) fatal. Permitiu o empate e depois no "tie-break", a russa foi mais forte, levando a contenda para o 3º "set".
Mais concentrada, a dinamarquesa dominava o jogo, quando o drama se impôs sobre Doha. Com um "break" à maior, Wozniacki, lesionada na coxa esquerda, deu outro significado à máxima de "saber sofrer". Foi assistida, tirou ligaduras, atirou-se para o chão, sofreu cãibras que fizeram doer a milhares de quilómetros de distância, chorou, gritou mas nunca, mesmo nunca, baixou a raquete. Conhecida pela simpatia, pela elegância e pelo desportivismo em court, Wozniacki hoje foi enorme e um exemplo para todas as tenistas, para todo o desporto. Quando se impunha a sua desistência, num jogo, que tão pouco era a eliminar, a jovem sofreu, fez sofrer, lavou-se em lágrimas, mas ganhou. Mais do que a vitória, Wozniacki conquistou o coração de quem assistiu a esta partida. O público do Qatar delirou com a jovem, os telespectadores certamente se arrepiaram um pouco por todo o mundo e não há dúvida que ao ténis feminino faltava uma campeã assim.
A combatividade, a descontracção e optimismo com que bate a bola, o talento, o modo como se agarra aos pontos, o estofo e a alma da "miss Simpatia", fazem dela uma campeã como há muito não se vê.
No final da partida, ao invés do largo sorriso habitual e dos cumprimentos ao público, eram lágrimas a patentear-lhe o rosto: lágrimas de dor, de alegria, de emoção da tenista que mal conseguiu saudar a adversária, tal era a sua debilidade. No fim, Wozniacki foi muito mais do que o lindo sorriso da nova "princesinha dos courts". Ela hoje foi a "rainha do drama", foi muito mais sentimento e o ténis ganhou um novo fôlego, depois do insólito episódio de Agassi. Af