Aos 20 anos, Juan Martin Del Potro entrou para a história do ténis, ao conquistar uma etapa de Grand Slam, a última do ano. O jovem argentino travou a senda vitoriosa do nº 1 mundial, Roger Federer, na prova americana, à sexta final consecutiva. O suíço, pentacampeão do US Open, marcou um registo inimaginável de 40 vitórias consecutivas no evento novaiorquino, travadas, agora, pelo talentoso Del Potro. Na primeira final em provas do Grand Slam, o argentino conseguiu a vitória e logo perante o recordista mundial. Em cinco “sets”, Del Potro correu sempre atrás do resultado. Federer entrou melhor e chegou facilmente à vitória no 1º “set”, por 6-3 e, quando tudo indicava que o 2º teria o mesmo destino, com o helvético, ao serviço, com 5-4 a seu favor (e 30-0 no jogo!) eis que Del Potro, reage com um “break”. Igualada a questão, o argentino foi mais forte no “tie break”. Reatado o encontro com igualdade no marcador e repete-se a história. O 3º foi conquistado por Federer, depois de conseguir quebrar o serviço por uma vez ao seu oponente, que voltaria a surpreender no 4º “set”,novamente com nota de culpa do suíço, que podia ter fechado. Novamente, o “tie break” e outra vez favorável ao gigante argentino.
Desestabilizado, o suíço entregou os pontos e, inexplicavelmente, foi presa fácil no quinto e decisivo parcial. Inacreditável como o suíço deixou fugir a vitória, que chegou a parecer fácil, mas extraordinária a forma como o jovem argentino não acusou a pressão e aproveitou as debilidades do experiente adversário, que cometeu, por exemplo, oito duplas-faltas, inédito no poderoso servidor. Fatal perante o intratável argentino, que está numa forma soberba e com a confiança em alta.
Depois do encontro, o reconhecimento. Na primeira grande vitória da carreira, Del Potro admitiu os dois sonhos há muito no horizonte: “Ganhar o US Open e ser como tu, Roger, mas para isso ainda me falta muito”. Federer sorriu e não admitiu qualquer frustração: “O que posso pedir mais?”, indagou o melhor tenista de sempre, no final de uma época em que chegou às quatro grandes finais e venceu duas (Roland Garros e Wimbledon), casou e foi pai de duas meninas.
Enorme, mesmo na derrota, o “senhor” do ténis, recebe dos adversários os maiores elogios e, as palavras de Del Potro ressalvam, não só a humildade do jovem, como toda a genialidade e ombridade do grande campeão, Roger Federer.
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