segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ciclismo: A teia de Nuno Ribeiro

O ciclismo é uma modalidade em vias de extinção e a notícia do doping detectado no vencedor da última edição da Volta a Portugal derruba toda a verdade desportiva que (ainda) detinha.
Os escândalos no ciclismo extenderam-se a uma escala planetária e sucedem-se a um ritmo demasiado elevado. Em Portugal, o fim da equipa Milaneza Maia MSS, nunca explicado, levantou um véu de suspeição em torno de uma modalidade que tem vindo a perder o interesse. Agora, o conhecimento de que o “menino bonito” do ciclismo português consumiu doping é um duro golpe nas aspirações de quem sonhou granjear mais adeptos para a modalidade.
Seis anos depois, as estradas portuguesas voltavam a ter um vencedor a falar a língua de Camões. De Norte a Sul do país, foi um uno de alegria, para celebrar a conquista de Nuno Ribeiro, o mesmo que seis anos antes surpreendeu o país ao vencer na Serra da Estrela e que, com serenidade, aguentou a vantagem até ao final da prova.
Em 2009, o Sobrado, donde é natural, voltou a explodir, sucederam-se as homenagens, reviveram-se as festas. O “Contador do Sobrado” estava vivo. Franzino, trepava como ninguém, numa Volta, com mais montanha do que nunca, depois de ter pedalado com muita modéstia nas últimas edições. Afinal, os portugueses também podem ganhar. O Nuno já não era o jovem que venceu em 2003, mas era nosso e a camisola amarela ficava-lhe melhor do que a nenhum outro. Vivas ao rei.
Mas, foi tudo mentira. Uma farsa, que nós pintamos de verde-rubro. Agora, os sentimentos antes transbordados, deram lugar ao oposto: a folia é ressaca, a dedicação é desprezo, os gritos são de raiva, o amor é ódio…
Fomos traídos. Todo o país. E nada pior do que amanhecer em tempos de crise, com um valente par de cornos.
O ciclismo está moribundo, no mais fundo dos buracos. Haja credibilidade para o levantar, ou inocentes dispostos a perdoar uma das páginas mais negras do ciclismo.


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