
Messi ou Ronaldo e nunca Messi e Ronaldo. O debate está lançado há mais de um ano e as opiniões dividem-se umas vezes e alteram-se em outras. O Barcelona – Manchester de hoje decide o vencedor da Liga dos Campeões 2009, mas mais do que a final do ano, enaltece-se o duelo entre Messi e Ronaldo. No Olímpico de Roma, os onzes de Barcelona e Manchester vão ser liderados pelo brilho das duas estrelas maiores do futebol mundial.
Penso que a cobertura noticiosa deste encontro está a ser uma desgraça. De facto, Manchester e Barcelona são duas das melhores equipas do ano, já se sagraram campeões nos respectivos países e têm apresentado o melhor futebol da Europa. Conquistaram por mérito próprio o direito de estar na final, mas não foram só Messi e Ronaldo. Aliás, foi preciso muito mais do que isso.
Hoje, muito mais do que o duelo entre os dois jogadores, teremos um duelo entre dois colossos europeus, entre duas equipas recheadas de estrelas. E é isso que teremos de regozijar.
O encontro em campo de dois jogadores que discutem o título de melhor do mundo pode dividir as atenções. Hoje está muito mais do que isso em jogo. Está uma época para duas equipas, para dois países. E por muito que empolguem, Portugal e Argentina nem vão retirar quaisquer dividendos da partida. A discussão vai muito para além do que se passará em campo num dia apenas.
Penso que não faz sentido questionarmos falsos patriotismos. Sou admiradora confessa há já muito tempo da “pulga” argentina. Messi é único e eu rendo-me por completo ao brilho que ele erradia quando tem a bola colada ao pé esquerdo. Depois, é muito mais do que um jogador com um pé fantástico. Messi é explosivo, pródigo, impulsivo, veloz, de finta curta, opção certeira, combinações perfeitas e passe delineado. Mais? Fá-lo em prol da equipa, mas sempre para os adeptos. Corre com a bola no pé e um sorriso nos lábios. Quando sai bem, continua a sorrir, quando sai mal faz aquele ar de menino travesso que se atrasou no regresso a casa. Messi é especial. Brilha e com ele faz brilhar toda uma equipa, toda uma selecção, todo um país. Com ele, o futebol tem outra luz. Frágil, baixo e franzino, mas um resistente. O menino condenado a não ter um crescimento normal, deve ao futebol a altura que ostenta. Graças ao jeito nato para a modalidade, o Barcelona aceitou pagar-lhe o tratamento hormonal que o astro argentino carecia para se tornar numa estrela mundial. Em troca, o prodígio de 13 anos, tinha de actuar pelo clube catalão. Messi cresceu até a 1,70m e o Barcelona ganhou a fidelidade do herdeiro de Maradona no futebol argentino.
Ronaldo é um jogador diferente. Forte, dois pés fantásticos, possante no jogo aéreo, veloz a tratar a bola e a pensar o jogo, decisivo nas bolas paradas. Com ele o futebol é directo e tem no golo o único objectivo. Não tem a alegria do futebol de Messi, não tem o mesmo brilho, nem o mesmo retoque. Não digo que seja melhor ou pior, digo que é diferente.
Depois, no jogo da vida, são donos de personalidades opostas. Ronaldo é seguro e convencido das suas capacidades e usa e abusa dos elogios para se definir. Messi é tímido e prefere que sejam os outros a defini-lo. Ronaldo diz que é o melhor, Messi diz que há muitos bons jogadores e que ele é somente mais um privilegiado. Ronaldo diz que é decisivo para as vitórias da equipa, Messi diz que o trabalho da equipa foi decisivo para a vitória. Ronaldo diz que gosta de marcar golos a uma equipa em particular, Messi diz que o importante é a vitória da equipa e não os golos que marcou. Ronaldo diz que é mais fácil brilhar no Manchester do que na selecção nacional, porque a equipa inglesa é de qualidade superior, Messi brilha no Barcelona, como na selecção argentina.
No Manchester, todos adoram Ronaldo, em Inglaterra, todos os restantes o odeiam, em Portugal, as opiniões dividem-se. Uns gostam da habilidade dele e perdoam a personalidade mais arrogante. Ronaldo vangloria-se demais. Na Selecção nem sempre rende e as desculpas são desastrosas. A nível de clubes, a situação não melhora muito, Ronaldo festejou com ar sobranceiro um golo frente ao Sporting (clube que o formou), cuspiu nos adeptos do Benfica e diz gostar de marcar golos ao FC Porto. Para quê tanta provocação? Apesar de tudo, os media continuam a levá-lo ao colo, mesmo quando ele se recusa a responder-lhes ou a receber os prémios com que o homenageiam. Messi é adorado no Barcelona e admirado em Espanha. Na Argentina é o ídolo maior e muito amado um pouco por todo o mundo.
Com tantas diferenças no campo e na vida, querem mesmo entregar a bola de ouro num jogo? Sobretudo, num jogo que vai contar com jogadores soberbos como Xavi, Iniesta, Eto’o, Henry, Rooney, Berbatov ou Ferdinand. Com tanto talento congregado, com uma missão tão importante, com tanta pressão, com tanta táctica à mistura, será que Messi e Ronaldo podem tirar teimas de uma época? Mais do que isto será a influência que a equipa terá. O Barcelona é uma equipa mais balanceada para o ataque, desguarnecendo muito a defesa, enquanto o Manchester é mais compacto nas duas tarefas, o que pode cerrar mais os caminhos a Messi e deixar Ronaldo mais livre para vagabundear no contra-ataque.
A final da Liga dos Campeões é um jogo especial, que move muitas emoções, não sei até que ponto os 21 anos de Messi e os 24 de Ronaldo podem ostentar suficiente maturidade para gerir todos os componentes emocionais da final de Roma.
Penso que a cobertura noticiosa deste encontro está a ser uma desgraça. De facto, Manchester e Barcelona são duas das melhores equipas do ano, já se sagraram campeões nos respectivos países e têm apresentado o melhor futebol da Europa. Conquistaram por mérito próprio o direito de estar na final, mas não foram só Messi e Ronaldo. Aliás, foi preciso muito mais do que isso.
Hoje, muito mais do que o duelo entre os dois jogadores, teremos um duelo entre dois colossos europeus, entre duas equipas recheadas de estrelas. E é isso que teremos de regozijar.
O encontro em campo de dois jogadores que discutem o título de melhor do mundo pode dividir as atenções. Hoje está muito mais do que isso em jogo. Está uma época para duas equipas, para dois países. E por muito que empolguem, Portugal e Argentina nem vão retirar quaisquer dividendos da partida. A discussão vai muito para além do que se passará em campo num dia apenas.
Penso que não faz sentido questionarmos falsos patriotismos. Sou admiradora confessa há já muito tempo da “pulga” argentina. Messi é único e eu rendo-me por completo ao brilho que ele erradia quando tem a bola colada ao pé esquerdo. Depois, é muito mais do que um jogador com um pé fantástico. Messi é explosivo, pródigo, impulsivo, veloz, de finta curta, opção certeira, combinações perfeitas e passe delineado. Mais? Fá-lo em prol da equipa, mas sempre para os adeptos. Corre com a bola no pé e um sorriso nos lábios. Quando sai bem, continua a sorrir, quando sai mal faz aquele ar de menino travesso que se atrasou no regresso a casa. Messi é especial. Brilha e com ele faz brilhar toda uma equipa, toda uma selecção, todo um país. Com ele, o futebol tem outra luz. Frágil, baixo e franzino, mas um resistente. O menino condenado a não ter um crescimento normal, deve ao futebol a altura que ostenta. Graças ao jeito nato para a modalidade, o Barcelona aceitou pagar-lhe o tratamento hormonal que o astro argentino carecia para se tornar numa estrela mundial. Em troca, o prodígio de 13 anos, tinha de actuar pelo clube catalão. Messi cresceu até a 1,70m e o Barcelona ganhou a fidelidade do herdeiro de Maradona no futebol argentino.
Ronaldo é um jogador diferente. Forte, dois pés fantásticos, possante no jogo aéreo, veloz a tratar a bola e a pensar o jogo, decisivo nas bolas paradas. Com ele o futebol é directo e tem no golo o único objectivo. Não tem a alegria do futebol de Messi, não tem o mesmo brilho, nem o mesmo retoque. Não digo que seja melhor ou pior, digo que é diferente.
Depois, no jogo da vida, são donos de personalidades opostas. Ronaldo é seguro e convencido das suas capacidades e usa e abusa dos elogios para se definir. Messi é tímido e prefere que sejam os outros a defini-lo. Ronaldo diz que é o melhor, Messi diz que há muitos bons jogadores e que ele é somente mais um privilegiado. Ronaldo diz que é decisivo para as vitórias da equipa, Messi diz que o trabalho da equipa foi decisivo para a vitória. Ronaldo diz que gosta de marcar golos a uma equipa em particular, Messi diz que o importante é a vitória da equipa e não os golos que marcou. Ronaldo diz que é mais fácil brilhar no Manchester do que na selecção nacional, porque a equipa inglesa é de qualidade superior, Messi brilha no Barcelona, como na selecção argentina.
No Manchester, todos adoram Ronaldo, em Inglaterra, todos os restantes o odeiam, em Portugal, as opiniões dividem-se. Uns gostam da habilidade dele e perdoam a personalidade mais arrogante. Ronaldo vangloria-se demais. Na Selecção nem sempre rende e as desculpas são desastrosas. A nível de clubes, a situação não melhora muito, Ronaldo festejou com ar sobranceiro um golo frente ao Sporting (clube que o formou), cuspiu nos adeptos do Benfica e diz gostar de marcar golos ao FC Porto. Para quê tanta provocação? Apesar de tudo, os media continuam a levá-lo ao colo, mesmo quando ele se recusa a responder-lhes ou a receber os prémios com que o homenageiam. Messi é adorado no Barcelona e admirado em Espanha. Na Argentina é o ídolo maior e muito amado um pouco por todo o mundo.
Com tantas diferenças no campo e na vida, querem mesmo entregar a bola de ouro num jogo? Sobretudo, num jogo que vai contar com jogadores soberbos como Xavi, Iniesta, Eto’o, Henry, Rooney, Berbatov ou Ferdinand. Com tanto talento congregado, com uma missão tão importante, com tanta pressão, com tanta táctica à mistura, será que Messi e Ronaldo podem tirar teimas de uma época? Mais do que isto será a influência que a equipa terá. O Barcelona é uma equipa mais balanceada para o ataque, desguarnecendo muito a defesa, enquanto o Manchester é mais compacto nas duas tarefas, o que pode cerrar mais os caminhos a Messi e deixar Ronaldo mais livre para vagabundear no contra-ataque.
A final da Liga dos Campeões é um jogo especial, que move muitas emoções, não sei até que ponto os 21 anos de Messi e os 24 de Ronaldo podem ostentar suficiente maturidade para gerir todos os componentes emocionais da final de Roma.
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